Pela primeira vez desde a chegada da crise econômica ao Brasil, no último trimestre de 2008, a arrecadação federal cresceu impulsionada pela atividade econômica. No melhor novembro da história, a soma dos tributos atingiu R$ 72,09 bilhões, o que representa aumento real de 26,39% em relação ao mesmo mês do ano passado -quando a crise já começava a influenciar o resultado.
Trata-se da maior arrecadação mensal dos últimos
22 meses. Na avaliação da Receita Federal, o resultado de novembro
consolida a reversão de uma Tendência observada a partir da eclosão
da crise. Desde novembro de 2008, a arrecadação passou por 11
meses seguidos de queda na comparação com igual período
do ano anterior.
Em outubro, a receita esboçou a primeira reação, com mais
0,9%. Os números, no entanto, haviam sido influenciados por fatores atípicos,
como a Incorporação de depósitos judiciais às receitas
do governo. Sem esses artifícios, a arrecadação continuaria
caindo.
"Este é o primeiro mês [novembro] em que nós
podemos dizer que, mesmo excluindo fatores atípicos, houve crescimento
significativo das receitas administradas, de aproximadamente 9%. Entramos em
um período de crescimento sustentado da arrecadação devido
à recuperação da economia", afirmou o coordenador-geral
substituto de Estudos, Previsão e Análise da Receita, Raimundo
Eloi de Carvalho.
De acordo com a série histórica da Receita, os meses de novembro
não são, em geral, períodos de forte aumento na arrecadação.
Apesar da retomada nos últimos dois meses, a expectativa é que haja Estagnação ou mesmo queda da arrecadação em 2009. No acumulado do ano até novembro, a receita alcançou R$ 633,8 bilhões -em valores já corrigidos. O montante é 3,99% inferior ao arrecadado de janeiro a novembro de 2008.
A Receita destaca que alguns indicadores macroeconômicos
explicam a melhoria na arrecadação em novembro. Entre eles estão
as vendas de veículos (crescimento de 23,6% em outubro ante igual mês
de 2008), vendas de Bens e Serviços (aumento de 11,2%) e o comportamento
da massa salarial (expansão de 5,57%).
Segundo Carvalho, as evidências da retomada econômica podem ser
verificadas com o aumento da arrecadação de PIS/Cofins (tributos
sobre o Faturamento das empresas) e do IPI relativo a outros produtos do setor
industrial -exceto veículos, que gozam de desoneração até
o ano que vem.
Para o fisco, além do maior dinamismo da economia, as
ações de combate a fraudes e sonegação adotadas
nas últimas semanas também contribuíram para elevar a receita.
Entre os fatores atípicos que ajudaram a elevar a receita em novembro,
estão os depósitos judiciais (R$ 2,1 bilhões) e a adesão
de contribuintes ao chamado "Refis da crise" (R$ 3 bilhões).
As desonerações, entretanto, reduziram em R$ 2 bilhões
as receitas do mês. No ano, as medidas de alívio tributário
somam R$ 24,9 bilhões.
Mais neste ano
O resultado de novembro fez com que o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário) elevasse sua previsão de arrecadação
para este ano. A previsão de R$ 1,075 trilhão foi revisada para
R$ 1,09 trilhão. Segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT,
se as receitas dos Estados e dos municípios crescerem na mesma proporção,
não está descartada a hipótese de o ano fechar com arrecadação
de R$ 1,1 trilhão.
Fonte: Folha de São Paulo - SP
28/12/09