BC eleva previsão do IPCA em 2010 para 4,4%, diz Relatório de Inflação


O Banco Central (BC) elevou sua previsão de inflação para 2010, ao considerar os efeitos do corte do juro básico e dos estímulos fiscais sobre a economia. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, a autoridade monetária calcula que a variação do IPCA acumulada nos 12 meses de 2010 se situe em 4,4%. No documento anterior, de junho, a estimativa era de inflação em 3,9% no próximo ano. A nova projeção central atual está apenas 0,1 ponto abaixo da meta de 4,5% para o ano.

O Relatório afirma que, na comparação entre os documentos de junho e setembro, houve um aumento das projeções de inflação a partir do quarto trimestre de 2009. Essa elevação se deve à redução do juro básico desde junho e também " ao fato de que os impulsos fiscais implementados no segundo trimestre do ano corrente foram maiores do que o esperado " .

Para os 12 meses encerrados em junho de 2011, a estimativa central da autoridade monetária é IPCA de 4,6% - ou seja, ligeiramente superior ao centro da meta. Nos 12 meses até setembro de 2011, o IPCA voltaria a 4,5%, coincidindo com o centro da meta.

Segundo o BC, as projeções de inflação acumulada em 12 meses estão abaixo da meta de 4,5% contando-se do terceiro trimestre de 2009 até o quarto trimestre de 2010. " Em parte isso reflete os efeitos defasados da ociosidade dos fatores de produção verificada a partir do quarto trimestre de 2008, que, embora tenha recuado, deve persistir por mais algum tempo " , diz o relatório de setembro.

No primeiro e segundo trimestres de 2011, porém, a previsão de inflação acumulada sobe para 4,6%. " A elevação da projeção de inflação no segundo semestre de 2010 e no primeiro de 2011 em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade " , afirma o documento. A projeção cai para 4,5% quando é considerado o IPCA acumulado nos 12 meses até setembro de 2011. " O recuo da projeção no terceiro trimestre de 2011 reflete a expectativa de que ao menos em parte esses estímulos fiscais sejam retirados a partir do segundo semestre de 2010. "

O cenário de referência considerado pela autoridade monetária nessas previsões inclui a manutenção da taxa Selic em 8,75% ao ano e taxa de câmbio constante em R$ 1,85 - posição em que se encontravam após a reunião deste mês do Copom.

A projeção central de inflação do mercado financeiro para o acumulado de 2010, por sua vez, também é de 4,4% - era de 4,2% no relatório de junho. O cenário tomado pelos analistas financeiros considera que a Selic média deve passar de 8,75% ao ano no último trimestre de 2009 para 9,08% anuais nos três meses finais de 2010. O câmbio, por sua vez, deve ficar entre R$ 1,82 e R$ 1,85.

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Online

25/09/09