As linhas para financiamento de capital de giro oferecidas pelo
BNDES são insuficientes e, além disso, pequenas e médias
empresas enfrentam muita dificuldade de acesso aos recursos, porque não
tratam diretamente com a instituição e dependem de agentes financeiros
que, atualmente, estão retraídos e avessos ao risco. A crítica
foi feita pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), ao sair de uma reunião
com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Quando a operação é realizada diretamente com o BNDES,
o presidente da CNI admite que há maior concentração com
empresas maiores e, nessas situações, o processo é mais
rápido. "Sempre vemos esses anúncios de liberação
de linhas, mas o que o BNDES já operacionalizou? O dinheiro já
chegou? A informação que temos sobre essa linha de capital de
giro é que o volume ainda é muito pequeno", comentou o deputado.
A assessoria do BNDES informou que a direção da instituição
não comentaria as críticas. Na terça-feira, o presidente
do banco, Luciano Coutinho, anunciou que o banco está fazendo um esforço
para ocupar parte do espaço deixado pelos bancos privados na oferta de
financiamento. Nesse sentido, ampliou sua linha de capital de giro chamada Programa
Especial de Crédito (PEC).
O BNDES já emprestou R$ 1 bilhão, mas restam outros R$ 5 bilhões
no PEC. Serão aceitas outras garantias além da fiança bancária
e o prazo de pagamento aumentou de 24 para 36 meses (12 meses de carência).
Além disso, o custo financeiro caiu de 16,55% para 14,5% ao ano e o limite
por beneficiária elevou-se de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões.
Os financiamentos até R$ 50 milhões serão operados exclusivamente
por meio de agentes financeiros.
Como persiste a preocupação geral com o crédito, Monteiro
Neto defendeu um novo movimento de liberação de compulsórios
para tentar irrigar mais ainda o sistema financeiro. "Continuamos com a
séria questão dos spreads. O custo das operações
continua muito alto na ponta e consideramos isso muito grave. Sempre manifestamos
nossa preocupação com a política monetária, porque
a taxa básica de juros está alta e isso é negativo para
as expectativas dos agentes econômicos", avaliou.
De acordo com o presidente da CNI, Mantega tem dados novos sobre o desempenho da economia que convergem com o acompanhamento da entidade e apontam para alguma "estabilização" em alguns setores. Disse que os números do setor automotivo são "positivos" em produção e vendas, na comparação dos primeiros 11 dias de fevereiro com o mesmo período de janeiro. "Há uma percepção de melhora no ambiente da indústria, mas não há dado que nos autorize dizer que há uma reversão desse quadro de desaceleração. Houve sensível acomodação e, portanto, nossa avaliação é positiva", afirmou.
A ameaça de recessão não pode ser afastada, na opinião de Monteiro Neto, porque o ambiente externo não melhorou. O comércio exterior está muito contraído e há queda das exportações em todos os países. Para ele, o Brasil está fazendo essa travessia de forma razoalvemente indolor, mas recomenda evitar excesso de otimismo porque "somos parte do mundo". Para ele, os setores mais atingidos pela crise são os do complexo mineral-siderúrgico, papel-celulose e os segmentos industriais que mais dependem do mercado externo.
Fonte: Valor Econômico
19/02/09