Reflexos da crise ainda vão durar por algum tempo
A crise econômica no Brasil pode até estar passando, como já demonstram alguns índices positivos, mas os reflexos dela ainda vão perdurar por um bom tempo. E um destes reflexos é a Inadimplência que volta a incomodar.
Conforme dados divulgados esta semana pelo Banco Central, a Inadimplência média das empresas no crédito livre subiu pelo décimo mês consecutivo em setembro, atingindo 4% das operações. Ainda segundo o BC Em agosto, o porcentual dos empréstimos com atraso superior a 90 dias era de 3,9%, e em novembro de 2008, quando essa sequência de altas começou, o número estava em 1,7%. É mais do que o dobro do período pré-crise.
A Inadimplência reflete diretamente na saúde da empresa. Ela é obrigada a apertar o cinto, reduz investimentos, e pode ficar também inadimplente com seus fornecedores. É uma cadeia negativa.
Para evitar serem arrastadas para o buraco, reduzindo a inadimplência, algumas empresas têm optado por aumentar os seus departamentos de cobrança, o que traz alguns resultados efetivos, mas que gera também aumento de custos.
Segundo o diretor do Sescap-Ldr, Jaime Junior Silva Cardozo, para se ter uma idéia, uma empresa que tenha o índice acima de 4% de Inadimplência e comercializa produtos, cuja margem de lucro seja de 25%, esta empresa terá que aumentar seu volume de vendas em 19%, para ao final do período ter o lucro esperado de 25%. Portanto pergunto: No atual cenário econômico, é mais fácil aumentar as receitas de uma empresa em 19% ou controlar sua inadimplência?, diz ele.
Além de apertar os devedores, as empresas têm lançado mão de outras alternativas para receber seus créditos. Uma delas, lançada recentemente pela Federação Brasileira de Bancos, é o Débito Direto Autorizado (DDA), que substitui a emissão de boletos bancários para algumas contas como: mensalidades escolares, planos de saúde, condomínios, aluguéis, fornecedores de mercadorias e Serviços entre outros e tem como um dos objetivos tornar a cobrança mais segura e dinâmica.
Este serviço é oferecido pelos bancos e inicialmente sem custos para o correntista bastando apenas o cadastro prévio no site do banco. De acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), para que as instituições financeiras comecem a cobrar pelo serviço, é preciso autorização do Banco Central e, por enquanto, nenhuma fez o pedido.
Algumas pessoas têm confundido o novo sistema com o Débito Automático. Não é a mesma coisa. Uma diferença importante entre o DDA e o débito automático é que o novo sistema não implica na cobrança automática, previamente acertada. O sistema apresenta os boletos que irão vencer, com suas datas e características. Para pagá-los, o correntista tem de autorizar individualmente as faturas que estiverem vencendo. Se o cliente perdeu a data do pagamento, deve imprimir a conta e quitá-la na agência, comenta Cardozo.
Há outras vantagens para as Empresas quando o DDA estiver em pleno funcionamento, avalia Cardozo, pois além de agilizar os recebimentos de contas, irá evitar custos com papel e correios. Para quem faz o pagamento pelo sistema, uma dica interessante é manter um arquivo eletrônico de cópias de segurança dos boletos quitados, alerta o diretor do Sescap-Ldr.
Fonte:
Folha de Londrina
10/11/09