Superávit da balança comercial sobe 113%




Em abril, o vigoroso aumento dos embarques de produtos básicos ao exterior empurrou a balança comercial brasileira para o melhor superávit desde maio de 2008. Com exportações de US$ 12,3 bilhões e importações de US$ 8,6 bilhões, o saldo do mês passado ficou em US$ 3,7 bilhões, indicando, conforme avaliações do governo, uma tendência de recuperação do comércio global. Dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostram ainda que a crise acabou antecipando o deslocamento de compras e vendas nacionais — antes tão concentradas em blocos econômicos clássicos — para a Ásia. O fenômeno obriga o Brasil a diversificar a pauta exportadora voltada para a China.

Produtos como açúcar, petróleo, celulose, alumínio bruto, soja em grão e farelo, carne bovina e minério de ferro ampliaram suas participações na cesta de itens vendidos ao mundo entre 10% e 42%, na comparação com março. Destaque também para automóveis. A China aparece como principal destino em quase todos os casos. O país ultrapassou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil: as vendas aumentaram 76,4% na comparação entre abril de 2008 e abril de 2009. Em contrapartida, as exportações brasileiras para o Mercosul amargaram uma retração de 33,9%, para a União Europeia caíram 25,1%, e para os Estados Unidos, 23,8%. No ranking de grandes compradores, os chineses aparecem em primeiro (US$ 2,231 bilhões), os Estados Unidos em segundo (US$ 1,340 bilhão) e a Argentina em terceiro (US$ 820 milhões).

Welber Barral, secretário de Comércio Exterior do Mdic, explicou que a entrada da safra foi decisiva para impulsionar os resultados bem acima da média da balança comercial. Distorções semelhantes devem continuar dando o tom das trocas envolvendo o Brasil e seus parceiros ao longo das próximas semanas, justificou o especialista. Para o governo, as boas perspectivas do momento precisam ser melhor aproveitadas pelos empresários. “Foi um resultado muito bom, não resta dúvida. O desafio agora é continuar tentando não depender de um único mercado”, completou. O superávit de abril foi 113,7% maior do que o apurado no mesmo mês de 2008 (US$ 1,737 bilhão).

Horizontes
Nas previsões do MDIC, as exportações vão encerrar 2009 em US$ 160 bilhões. Técnicos do governo não arriscam a dizer se o avanço chinês continuará influenciando positivamente a balança. O Brasil, porém, está disposto a ampliar seus laços com a potência asiática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem viagem marcada para a China neste mês, quer acelerar acordos comerciais e eliminar obstáculos que impedem a inserção plena de alguns setores produtivos nacionais naquela economia.

Ao mesmo tempo, o governo crê na recuperação da economia americana ao longo de 2010 e espera reconquistar espaços perdidos. As vendas para a UE e o Mercosul também deverão registrar algum tipo de melhora a partir do segundo semestre, mesmo com a mudança histórica dos destinos das exportações. Barral justificou que um dos pilares para que todas essas expectativas se confirmem é a estabilização da oferta de crédito no mundo.


 

Fonte: Correio Braziliense

06/05/09