Dos R$ 90,39 bilhões
que a Receita Federal lançou como créditos tributários
no ano passado, R$ 65,17 bilhões ainda estão sendo questionados
por meio de impugnações no Conselho de Contribuintes. Os números,
que estão no relatório da fiscalização divulgado
nesta segunda-feira, mostram que foram autuados 474, 81mil contribuintes pessoas
físicas e jurídicas em 2009, contra 471 mil no ano anterior.
- Essas impugnações são do nosso trabalho. A população
vai entender que o Fisco é duro, mas abre canais para que o contribuinte
discuta e reveja lançamentos errados. A maioria desses processos é
confirmado ao final do processo administrativo - disse o subsecretário
de Fiscalização da Receita, Marcos Vinícius Neder.
Segundo ele, os processos na Receita tem evoluído de tal forma que pouco
se questiona judicialmente. Normalmente, quando há disputa entre o governo
e o contribuinte (grande parte empresas), a demora pode ser de três a
quatro anos.
O valor dos créditos em 2009 representou um aumento de 20,1% em comparação
a 2008, quando o total foi de R$ 75, 2 bilhões. Para Neder, o total de
2008 foi o segundo o melhor resultado em dez anos, só perdendo para o
de 2007, quando ultrapassou R$ 100 bilhões.
Dos créditos tributários lançados no ano passado, R$ 55,4
bilhões foram relativos à arrecadação de grandes
contribuintes, R$ 29,7 bilhões, de várias outras empresas, e R$
5,2 bilhões, de pessoas físicas. No ano anterior (2008), os créditos
tributários de grandes contribuintes somaram R$ 45,3 bilhões,
R$ 29 bilhões foram das demais empresas e R$ 6,9 bilhões, de pessoas
físicas.
De acordo com Neder, no ano passado, os auditores levaram mais tempo concentrados
nos grandes contribuintes. Para este ano, a estratégia é aumentar
o total do crédito tributário e o tempo dedicado à fiscalização
e enfrentar empresas, principalmente as que fazem planejamento tributário.
Ou seja, empresas que procuram brechas para não recolher os impostos.
- Esse é o novo desafio que o Fisco tem pela frente. Mostrar que não
é um mero negócio a empresa se estruturar nesse sentido, mas um
castelo de cartas que não tem nenhuma substância econômica
- afirmou
Em 2009, a indústria ficou em primeiro lugar no valor das autuações,
chegando R$ 37,6 bilhões , contra R$ 31,56 bilhões em 2008. Em
seguida, veio o comércio, com R$ 13,7 bilhões, que quase dobrou
em comparação a 2008, quando ficou em R$ 7,88 bilhões.
Os prestadores de Serviços aparecem na terceira posição,
com R$ 13,27 bilhões, e na sequência vêm as instituições
financeiras, com R$ R$ 6,79 bilhões.
No caso das pessoas físicas, houve queda R$ 6,96 de 2008 para R$ 5,27
bilhões para 2009, incluindo malha, devido às novas ferramentas
disponíveis no site da Receita Federal, como a retificação
online, que permitiram ao contribuinte verificar pendências com impostos
e pagar os tributos devidos sem interferência da fiscalização.
A Receita informou
ainda que foram executados 24.764 autos de infração correspondentes
a 109,01% em comparação com a meta estabelecida de 22.717. Em
2008, a meta era de 31.866, mas só foram cumpridos 93,36% (29.749). Este
ano, a Receita espera um bom desempenho, podendo atingir R$ 100 bilhões
em créditos tributários, contra os R$ 90,39 bilhões do
ano passado.
Entre os fatores que contribuíram para a melhoria na fiscalização
este ano, Marcos Vinícius Neder destacou a melhoria na capacitação
do pessoal da Receita Federal, a transparência e o grande Investimento
em tecnologia.
- Isso envolve o estabelecimento de metas, cobranças e controles que
aproximam a administração da Receita dos próprios auditores,
de maneira que se melhore a produtividade punindo aqueles que estão fazendo
errado - disse.
Neder informou que, em 2009, cada auditor fiscal foi responsável por
R$ 21,280 milhões em créditos tributários. "Houve
mais ênfase. A Receita Federal botou o bloco na rua", afirmou.
Fonte: O Globo